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A Terapia Manual no Tratamento da Fibromialgia

Como vamos tratar algo que não conhecemos?

Gosto muito desta reflexão. Muitos estudos vem sendo realizados a respeito da fibromialgia e isso vai deixando mais claro o rumo dos nossos tratamentos. Precisamos conhecer o que pretendemos tratar. E mais ainda, QUEM, vamos tratar. O ser humano, que está diante de nós.

Para termos resultados diferentes dos que estamos obtendo, com a terapia manual no tratamento da fibromialgia, precisamos fazer diferente. É muito comum no tratamento de pacientes com Fibromialgia, tanto pacientes quanto profissionais da saúde ficarem frustrados com os resultados.

Acredito que lidarmos com a frustração buscando saidas mais assertivas possa trazer resultados melhores.

A pergunta seria: o que não estamos percebendo, que poderia fazer a diferença para a vida desta pessoa que pretendemos tratar?

Vamos começar compreendendo um pouco mais sobre “A FIBROMIALGIA”.

A etiologia da fibromialgiada, que é caracterizada por dor muscular generalizada e sensibilidade em tecidos moles de pontos específicos, ainda não está clara.

Mas já sabemos que alterações patológicas nos tecidos musculares não foram encontradas nos estudos já realizados.
Vários achados em pesquisas demonstram, que na fibromialgia, o sistema nervoso central tem uma resposta exagerada a dor, um fenômeno chamado sensibilização central.

A sensibilização central é causada por estímulos nociceptivos repetidos ou sustentados para os neurônios do corno dorsal da medula, levando ao aumento da resposta neuronal ou sensibilização central. É um estado de alta sensibilidade da medula, considerada uma adaptação do sistema nervoso a estímulos dolorosos sustentados. É o resultado final de uma resposta neuronal complexa à danos aos nervos periféricos ou inflamações teciduais.

Existem evidências significativas de sensibilização central na fibromialgia. E muitos estudos indicam que não existem anormalidades musculares. Outros ainda argumentam que os mecanismos periféricos de dor devem ter um importante papel na fibromialgia.

Mas a sensibilização central precisa ter uma origem, e qual seria a hipótese neste caso? Vamos à ela!

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A medicina alopática historicamente considerou a fáscia relativamente inerte. Entretanto a osteopatia já reconhecia há muito tempo a fáscia como sendo potencialmente causa de dores e disfunções. A fáscia é um tecido vivo e exerce muitas funções no nosso corpo.
A fáscia é ricamente inervada, estudos histológicos encontraram fibras nervosas na fáscia profunda, incluindo uma variedade de terminações nervosas livres e especialmente os corpúsculos de Ruffini e Pacini (Stecco et al., 2006).

Na verdade, a inervação muscular está localizada principalmente na fáscia: consistindo em 25 por cento de receptores de estiramento de células musculares, e 75 por cento de terminações nervosas livres na fáscia intramuscular, e nas paredes dos vasos sanguíneos e tendões (Bonica, 1990).

Uma das marcas do tecido conjuntivo, incluindo fáscia, é a sua mutabilidade e remodelação em resposta à mecânica
estresse. No entanto, sob certas condições, o excesso estresse mecânico, inflamação ou imobilidade, pode resultar em colágeno excessivo e desorganizado e deposição de matriz, resultando em fibrose e aderências (Langevin, 2008).

Nestas condições, as terminações nervosas livres, presentes na fáscia, podem exercer um papel nociceptivo e contribuir para a gênese da sensibilização central.

Será que a abordagem ao sistema fascial através da Liberação Miofascial e do treinamento fascial pode contribuir para o tratamento da fibromialgia?

Alguns argumentam que os trigger points possam causar a sensibilização central na fibromialgia. Todavia recentes estudos com biópsias tem encontrado um aumento de fibras de colágeno e mediadores inflamatórios na fáscia de pacientes com fibromialgia.

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Confira o artigo nesse link

Sem dúvida, a fáscia não é tudo. Mas conecta TUDO.

Então acredito que seja uma porta de entrada para acessarmos diversas alterações que até hoje não compreendíamos, não tinham uma etiologia e muitas vezes nos foi dito que não tinham cura. E aqui vale se perguntar o que leva a fáscia a se alterar e possivelmente causar ou contribuir para a sensibilização central na fibromialgia?

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Embora nenhuma anormalidade consistente tenha sido encontrada em nível ultraestrutural ou estrutural das células musculares, dois estudos recentes usando técnicas especializadas de coloração imuno-histoquímica focadas no tecido conjuntivo intramuscular, descobriram algumas anormalidades intrigantes.

Spaeth et al. descrevem um aumento no colágeno IV em torno dos músculos dos pacientes com fibromialgia (FM). Ruster et al. também encontraram níveis aumentados de colágeno no endomísio dos músculos, além disso, descreveram evidência de inflamação endomisial e dano tecidual.

A disfunção fascial e inflamação podem levar à dor e sensibilização central observada na fibromialgia.

Em indivíduos geneticamente propensos, um trauma pode desencadear disfunção prolongada de resposta ao estresse. Esta excitação autonômica crônica e hipervigilância pode causar tensão fascial excessiva, interferir no sono profundo e prejudicar a liberação do hormônio do crescimento.

Uma associação entre trauma e fibromialgia também foi relatada, um estudo identificou trauma físico nos 6 meses anteriores associado ao início da FM (Al-Allaf et al., 2002).

A hiperatividade da resposta ao estresse também foi descrita na fibromialgia, com disfunção tanto no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) e no sistema nervoso autonômico (Adler et al., 1999; Cohen et al., 2000). A hiperatividade do eixo HPA também pode causar um embotamento resposta do hormônio do crescimento (Jones et al., 2007). O hormônio do crescimento (GH) é responsável por regular a cura e manutenção dos tecidos.

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Estudos do sono demonstraram que os pacientes com fibromialgia (FM) experimentam o estágio de sono profundo reduzido, o qual é frequentemente interrompido com ondas alfa que são normalmente associadas com estados de vigília (Moldofsky et al., 1975).

O hormônio do crescimento (GH) é secretado principalmente durante o sono profundo e após o exercício, e é responsável por regular o cura e manutenção dos tecidos. Quase 70% do GH total a secreção ocorre à noite. Mais de 90% dos pacientes com fibromialgia apresenta a produção do hormônio do crescimento inadequada em resposta ao exercício (Paiva et al., 2002) e um terço tem significativamente baixo níveis circulantes de IGF-1 (Bennett et al., 1992).

A reposição do hormônio do crescimento em pacientes com FM resultou em melhora significativa dos sintomas e redução de tender points em um estudo (Bennett et al., 1998).

Os fibroblastos, principal célula presente no tecido fascial, têm receptores do hormônio do crescimento, e em resposta a este hormônio, secretam localmente fatores de crescimento atuantes, como IGF-1 (Murphy et al., 1983; Oakes et al., 1992). Os fibroblastos desempenham um papel central na cicatrização, e IGF-1 é o principal mediador fisiológico de cicatrização normal de lesões.
Melhora na cicatrização de feridas e aumento de IGF-1 em tecido de cicatrização tem sido relatados após a administração de hormônio do crescimento (Gilpin et al., 1994; Herndon et al., 1995).

Importante saber que estudos vem demonstrando que a melhora da qualidade do sono, melhora os escores de dor. Como está a qualidade do sono do seu paciente? E o GH? E a Fáscia?

O domínio simpático crônico do sistema nervoso também pode promover tensão crônica no sistema fascial e, como já dito, interferir em todos os sistemas do corpo humano. O tipo de toque tem uma ação direta sobre o sistema nervoso e é muito importante, neste grupo em específico, que façamos bom uso deste conhecimento para uma escolha mais adequada.

Para que as terapias manuais sejam eficazes na fibromialgia, eles devem levar em consideração as propriedades coloidais da fáscia, e de acordo com Chaitow e DeLany “a quantidade de resistência que uma substância coloidal oferece aumenta proporcionalmente à velocidade da força aplicada a eles”. Isto faz o toque gentil ser um requisito fundamental, quando o objetivo é produzir uma mudança ou liberação de restrição estruturas fasciais, que são todas coloidais em seu comportamento. (Chaitow e DeLany, 2000).

Portanto, apenas uma pressão lenta e sustentada efetuará mudanças no tecido fascial.

Utilizar o crescente corpo de conhecimento sobre as propriedades da fáscia pode ajudar os terapeutas manuais a tratar pacientes com fibromialgia com técnicas que não causam mais lesões e inflamações, mas quebre suavemente as restrições e aderências fasciais existentes e promova a cicatrização do tecido.

Além disso, este tipo de toque, estimula os mecanoceptores de Ruffini, aumentando o tônus vagal, que então, muda não apenas dinâmica e metabolismo do tecido localmente, mas também resulta em relaxamento muscular global, diminuição da atividade mental e um estado mental de paz.

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Exatamente o que estes pacientes precisam, não é mesmo?

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2 comentários em “A Terapia Manual no Tratamento da Fibromialgia”

  1. Leticia Castro Viegas da Silva

    Adorei o texto Andréia, super explicativo nos detalhes e didático ! Obrigada por compartihar teu conhecimento. Gratidão! Bjo

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